Eu ia começar por falar do filme "Slumdog Millionaire", mas como o criador deste blog anda a falar mal do Eça de Queirós, e a desejar a sua não-existência, eu decidi-me por esta obra-prima de Jorge Paixão da Costa. É um filme português, sim, e eu não gosto de filmes portugueses, embora hajam algumas excepções, e esta película é uma delas.
Retrata a história do livro "O Mistério da estrada de Sintra", livro que foi escrito por Eça de Queirós e Ramalho Ortigão, e que originalmente surgiu nas páginas do Diário de
Notícias. Mas não retrata só a trama desse folhetim. Os autores e o processo de "fabrico" da obra também surgem, paralelamente ao que acontece às personagens.
Vemos também que a alta sociedade lisboeta levou muito a peito uma simples obra de ficção, pensando que era o retrato fiel de um verdadeiro fidalgo e da sua família.
Mas eu vim aqui para escrever do que mais gostei em termos cinematográficos. A banda sonora, nem se fala! Quando nos vemos perante as cenas nas quais os escritores intervêm... É um assombro, é quase o espelho do que está a ocorrer, é quase como se fosse o retrato emocional ou psicológico que as personagens apresentam naquele instante, o mesmo se diz das partes em que assistimos à trama da obra.
Em termos de representação da época, eu penso que se nota as dificuldades financeiras pelas quais os filmes portugueses passam, por falta de patrocinadores... É uma bela representação da época, sim senhor, mas nota-se a falta de epicismo, ou seja, falta aquela proporção épica que demonstraria, por exemplo, que Lisboa era uma cidade muito barulhenta, e muito povoada, ou que no Diário de Notícias vários empregados trabalhavam sem parar para criar novas cópias dos jornais. Surge-nos um pequeno recanto de uma praça, com alguns fidalgos e suas damas, e com falta das gentes do povo, ali a mandar os pregões (que por acaso fazem parte da banda sonora), e temos também um jornal, com um director, e um outro empregado que nos surge, escondido.
O hotel em Malta, na verdade o palácio de Monserrate, era também um bocado pequeno para o momento do baile. Se bem que encaixou na perfeição, com poucos a dançar.
Mas o mais fabuloso do filme, aquilo que lhe dá aquele toque, que confere alguma magia, é a fabulosa, senão magnífica interpretação dos actores!
Aquele Eça de Queirós, está absolutamente ESPECTACULAR! A maneira picuinhas dele, o riso, o modo de falar, tudo, tudo! Está perfeito! Aquele é o Eça, aquele é o paradigma de uma interpretação de Eça de Queirós!
Sem esquecer os outros, claro! O Ramalho Ortigão, com a sua calma e racionalismo. (calma é modo de expressão, pois ele surge logo todo aflito durante o seu rapto!) Um homem sensato, que adora política! Pelos menos, de falar dela!

O conde de Abranhos parece uma caricatura autêntica de um fidalgo lisboeta, mas todos eles estão perfeitos! Conferem tal realismo à obra! Como se o realismo, essa corrente literária, estivesse agora forma a forma de filme! Há um naturalismo tal ali, que nem vale comentar! Até aqueles actores que tiveram de falar outras línguas, que não as maternas, brilham!
Mas o que eu adoro mesmo, mesmo, é o chapéu do Eça!!!! xD Eu adoro aquele modelo de chapéu!
Sugestão que eu faço para os portugueses: que aplaudam estes filmes, para que surjam mais deste género, os que retratam importantes figuras portugesas, e que retratam uma época!
Ministério da Cultura, há muito talento por aí, muito diamante em bruto que necessita de uma lapidação!!!
Diz lá, dono do blog? Ainda bem que existiu Eça! Se não tivesse nascido, nao estaria eu agora absolutamente assombrada com este filme, com aquele chapéuzinho, com a cena na casa-de-banho, e com o Ivo Canelas num papel que lhe assentou como uma luva!
("Sob o manto diáfano da fantasia..." "E aqui está Lisboa abanada, diria até, ABANANADA!" "Os valores imprescritíveis da amizade que você mandou à merda!")
Retrata a história do livro "O Mistério da estrada de Sintra", livro que foi escrito por Eça de Queirós e Ramalho Ortigão, e que originalmente surgiu nas páginas do Diário de
Notícias. Mas não retrata só a trama desse folhetim. Os autores e o processo de "fabrico" da obra também surgem, paralelamente ao que acontece às personagens.Vemos também que a alta sociedade lisboeta levou muito a peito uma simples obra de ficção, pensando que era o retrato fiel de um verdadeiro fidalgo e da sua família.
Mas eu vim aqui para escrever do que mais gostei em termos cinematográficos. A banda sonora, nem se fala! Quando nos vemos perante as cenas nas quais os escritores intervêm... É um assombro, é quase o espelho do que está a ocorrer, é quase como se fosse o retrato emocional ou psicológico que as personagens apresentam naquele instante, o mesmo se diz das partes em que assistimos à trama da obra.
Em termos de representação da época, eu penso que se nota as dificuldades financeiras pelas quais os filmes portugueses passam, por falta de patrocinadores... É uma bela representação da época, sim senhor, mas nota-se a falta de epicismo, ou seja, falta aquela proporção épica que demonstraria, por exemplo, que Lisboa era uma cidade muito barulhenta, e muito povoada, ou que no Diário de Notícias vários empregados trabalhavam sem parar para criar novas cópias dos jornais. Surge-nos um pequeno recanto de uma praça, com alguns fidalgos e suas damas, e com falta das gentes do povo, ali a mandar os pregões (que por acaso fazem parte da banda sonora), e temos também um jornal, com um director, e um outro empregado que nos surge, escondido.
O hotel em Malta, na verdade o palácio de Monserrate, era também um bocado pequeno para o momento do baile. Se bem que encaixou na perfeição, com poucos a dançar.
Mas o mais fabuloso do filme, aquilo que lhe dá aquele toque, que confere alguma magia, é a fabulosa, senão magnífica interpretação dos actores!
Aquele Eça de Queirós, está absolutamente ESPECTACULAR! A maneira picuinhas dele, o riso, o modo de falar, tudo, tudo! Está perfeito! Aquele é o Eça, aquele é o paradigma de uma interpretação de Eça de Queirós!
Sem esquecer os outros, claro! O Ramalho Ortigão, com a sua calma e racionalismo. (calma é modo de expressão, pois ele surge logo todo aflito durante o seu rapto!) Um homem sensato, que adora política! Pelos menos, de falar dela!

O conde de Abranhos parece uma caricatura autêntica de um fidalgo lisboeta, mas todos eles estão perfeitos! Conferem tal realismo à obra! Como se o realismo, essa corrente literária, estivesse agora forma a forma de filme! Há um naturalismo tal ali, que nem vale comentar! Até aqueles actores que tiveram de falar outras línguas, que não as maternas, brilham!
Mas o que eu adoro mesmo, mesmo, é o chapéu do Eça!!!! xD Eu adoro aquele modelo de chapéu!
Sugestão que eu faço para os portugueses: que aplaudam estes filmes, para que surjam mais deste género, os que retratam importantes figuras portugesas, e que retratam uma época!
Ministério da Cultura, há muito talento por aí, muito diamante em bruto que necessita de uma lapidação!!!
Diz lá, dono do blog? Ainda bem que existiu Eça! Se não tivesse nascido, nao estaria eu agora absolutamente assombrada com este filme, com aquele chapéuzinho, com a cena na casa-de-banho, e com o Ivo Canelas num papel que lhe assentou como uma luva!
("Sob o manto diáfano da fantasia..." "E aqui está Lisboa abanada, diria até, ABANANADA!" "Os valores imprescritíveis da amizade que você mandou à merda!")

Eça... sem comentários.
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