quinta-feira, 2 de abril de 2009

Eça - um génio sem paralelo


Black Mariah fez o distinto favor de abrir um «post» referente a um homem que idolatro com fervor e desmesurado ímpeto, alguém que coloco num pedestal inacessível, elavado, um Olimpo apenas seu, no qual é Zeus e Posídon e Hades e Afrodite e Ares e Hermes e Hera e toda essa longa linhagem mitológica de deuses poderosos, contudo humanamente representados, com defeitos e graças, virtudes e horrores!


Eça de Queirós é exactamente isso, um deus poderoso, altivo, todavia sempre um pouco héctico, digamos humano, imperfeito, como qualquer homem de verdade o deve ser. Ele constrói personagens sublimes, realistas - não fosse ele um Realista -, em tudo distintas daquelas que foram, por exemplo, tecidas pelo punho igualmente memorável de Camilo Castelo Branco, essas que mais se assemelham, como refere a personagem Eça de Queirós na película Mistério da Estrada de Sintra, a figuras de cera aguardando que lhes atirem com algo para acordarem. São personagens muito humanas, naturais, o que se verifica com extrema perfeição em Carlos da Maia, por exemplo, quando pratica incesto consciente com Maria Eduarda, visto já ter conhecimento do facto da mesma ser sua irmã de sangue, ou mesmo quando o padre Amaro liberta a sua verdadeira personalidade, desejando, a princípio, após tomar conhecimento da gravidez de Amélia, que esta abortasse. Ora, lá se vai, pela janela da carruagem, a pureza e castidade que mostrara em quase toda a obra, até então!


Eça é o meu «eleito», como diz a minha professora, de facto. Contudo, reconheço alguns defeitos nas suas obras. Um deles será a questão do final da trama. O enredo proporciona encerramentos apoteóticos, gloriosos, simplesmente perfeitos e fascinantes, como Os Maias - com a partida de Maria Eduarda (a passagem, para mim, mais marcante da obra) ou Carlos a encerrar, para sempre, os portões do Ramalhete, visto também ser com este que a obra se inicia, podendo ter sido concluída como um ciclo maravilhoso - ou mesmo O Crime do Padre Amaro - a morte de Amélia, com as complicações pós-parto, e do filho da mesma com Amaro -, e, ainda, convém referir o caso A Relíquia, uma obra que, confesso, enegrece um pouco a imagem imaculada que se pode criar do excelso escritor licenciado em Direito, o mesmo que «odiava» as mulheres, daí retratá-las, nas suas obras, de modo inferior e desprezível, visto ser fruto de uma relação não reconhecida legalmente, nem pela Igreja, bem como devido ao facto de ter sido abandonado, por tal, pela mãe.


Contudo, e apesar de tudo isto, mantém-se como um símbolo da nossa Literatura, um marco equiparável a Pessoa - bastam os heterónimos que criou e idealizou como personagens reais e A Mensagem, o expoente da nossa poesia - e Camões - não o lírico, mas sim o grande autor da epopeia [embora sejam o mesmo (risos)] -, sendo, aliás, os três, juntos, o núcleo e cerne da Literatura Portuguesa!



E que se dêem vivas a Eça de Queirós!!!

1 comentário:

  1. Que se dêem vivas à loucura. Sem ela ninguém adorava o Eça.


    ehehehehe (que maldade)

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