sábado, 4 de abril de 2009

O Conde Drácula




A história de ficção "Drácula", de Bram Stoker, narra-nos a saga de um conde que se revolta contra a sua religião depois de perder a sua amada. Ele era um homem extremamente forte e cujo amor ainda era mais forte que ele. A força do amor aliada à do ódio contra Deus transformou-o na criatura da noite mais assustadora e temida, e também conhecida, de todos os tempos...




Esse conto é fantasia, mas existiu na realidade um conde que vivia na Transilvânia sem escrúpulos, nem amor. O seu nome era Vlad Tepes IV.




Nascido na Transilvânia no ano de 1431, na cidade de Sighiosara, inventou o apelido "Dracul", que significava filho daquele que pertencia à ordem do Dragão. Mas em romeno "dracul" significa Satanás, então quando o povo descobriu o que ele andava a fazer mudou o nome para "Drácula", filho do demónio.




O conde ficou famoso por ter empalado mais de 30 000 pessoas. A técnica de empalação consistia em deitar a pessoa no chão de braços esticados e amarrá-los a dois cavalos. Com uma estaca afiada e suficientemente grande para aguentar o peso da vítima, ele introduzia a ponta no anûs do condenado e puxava os cavalos para a frente. Quando a estaca estivesse bem introduzida, soltava os cavalos e enterrava a estaca. O empalado ia-se enterrando pela estaca abaixo com o seu peso, até que lhe atravessasse a boca.




Enquanto Vlad Tepes reinou, a ordem era absoluta, pois ninguém se atrevia a cometer crimes, com medo de ir parar à estaca.




Segundo a lenda, o conde gostava de comer rodeado de vítimas empaladas, ouvindo os seus gritos moribundos, e acompanhado de mortos.


Um dia, convidou uns pobres para comerem no seu castelo. No fim, ao vê-los satisfeitos, perguntou se podia fazer algo por eles. Estes, pensando que ele os iria ajudar, responderam que desejavam que ele os livrasse do sofrimento quotidiano. "Assim seja", terá dito Vlad. Mandou fehcar a sala de jantar, e depois de abandonar o recinto, pegou-lhe fogo, e todos os que estavam lá dentro morreram queimados. Mais tarde, Vlad justificou-se dizendo que apenas fizera aquilo uqe os pobres lhe tinham mandado fazer, libertara-os do sofrimento deste mundo.




Certo dia, quando uns embaixadores estrangeiros o vieram visitar, não tiraram o chapéu na sua presença, o que deixou Vlad perpelxo. Perguntou-lhes o porquê de não o fazer, ao que eles responderam que não era um costume deles tirar o chapéu na presença de um homem.




"Muito bem. Cabe-me a obrigação de vos manter firmes aos vossos costumes.", disse o conde, e mandou que lhes pregassem os chapéus à cabeça.




Um dia, ao reparar que um nobre, seu convidado para jantar, tapava o nariz por causa do cheiro, Vlad mandou empalá-lo numa estaca maior que as outras.




"Ora aí está o meu amigo num lugar onde o ar é mais puro e onde não que se preocupar com o cheiro destes corpos..."




Mas ele também condenava pessoas do seu povo. Elas podiams ser esfoladas, mutiladas, cozidas vivas, ou mortas na fogueira. Uma ocasião, enquanto passeava pelo campo, reparou num camponês que tinha a camisa rasgada, e perguntou-lhe se não tinha mulher, ao que este respondeu que sim. Foi conduzido até ela, a seu pedido. Quando chegou, perguntou à mulher se era saudável e se as colheitas tinham sido boas. Ela respondeu que sim.




"Então não há razão alguma para o teu marido andar com a camisa rasgada."




Empalou-a em plena praça pública, como lição a todas as mulheres preguiçosas que não se interessam pelo marido.




Mesmo aclamado pela Europa pelo seu sucesso na guerra contra os turcos, o povo não aguentava a sua tirania e opressão. Falsificaram uma carta, dizendo que ele voltaria para o lado inimigo. O conde foi preso e ficou 12 anos trancado na sua cela. Nesse tempo que ficou preso fez amizade com os guardas, que lhe forneciam ratos e pequenos animais para serem empalados, apenas por diversão!




Quando foi solto, tomou o seu trono de volta, mas morreu pouco depois, numa batalha com os turcos.










Diz-se que, nos anos 30, numa busca ao túmulo de Drácula, no Mosteiro de Snagoy, Roménia, só foram encontrados ossos de um animal. Será que o verdadeiro conde Drácula anda por aí? Terá ele realmente morido? Mistério......

sexta-feira, 3 de abril de 2009

O castelo de Cachtice - residência da «condessa de sangue»







O castelo como seria na sua época de esplendor

A condessa Elizabeth Bathory - biografia



Foi uma princesa húngara oriunda de uma importante família, os Bathory, e ficou para a História famosa pelo seu carácter sanguinário que facilmente contrastava com a beleza ímpar que possuía. Terá supostamente cometido uma longa série de crimes hediondos, macabros e cruéis, muitos, de acordo com lendas, relacionados com a sua obsessão pelas eternas beleza e juventude. Contudo, actualmente, os historiadores consideram meramente fictícios os horrivéis actos atribuidos à autoria da princesa, tendo sido, porventura, fruto de especulações dos inimigos políticos dos Bathory, que avidamente desejavam a sua morte.


Elizabeth (Erzsébet, em húngaro) nasceu em Nyírbátor, na época pertencente ao Reino da Hungria, actual Eslováquia. Grande parte da sua vida adulta foi passada no castelo Cachtice, perto da cidade de Vinishe, e a sua família cedo aderiu ao Protestantismo que principiava a espalhar-se pela Europa de então. Convém, ainda, acrescentar uma pequena curiosidade: Elizabeth foi educada em Ecsed, na propriedade da família, na Transilvânia (terra de Vlad Tepes, o famoso conde Drácula).


Foi alvo, em pequena, de doenças repentinas, originando um comportamento instável e incontrolável, bem como um intenso espírito rancoroso. Cresceu bela e vaidosa, tornando-se noiva do conde Ferenc Nadasdy, quando apenas possuía onze anos de idade. Em 1574, engravidou de um camponês, o que a levou a refugiar-se do mundo, quando o seu estado era claramente notório, até ao nascimento da criança. Em Maio do ano seguinte, casou com o conde, passando longas temporadas sozinha, visto o marido ser um militar efectivo, numa época de grandes conflitos no Leste da Europa. Durante as prolongadas ausências do esposo, assumia a própria Elizabeth os assuntos da família Nadasdy e do castelo. E foi isto que desencadeou o seu comportamento extremamente sádico, o facto de ter de controlar um leque enorme de criados, em especial jovens mulheres, recorrendo a uma dura disciplina, de modo a manter a ordem.


Mesmo numa época em que a punição dos criados e o comportamento arbitrário dos detentores do poder era algo tolerável e comum, as atitudes e comportamentos de Elizabeth ultrapassavam o banal e habitual, chamando as atenções. Encontrava a menor desculpa para impingir violentos castigos, torturas insuportáveis que, muitas vezes, culminavam em morte. Espetava alfinetes em diversas partes dos corpos das vítimas, como, por exemplo, sob as unhas e, no Inverno, despia-as, forçando-as a caminhar sobre a neve e derrubando água gelada sobre os seus corpos, até que morressem congeladas. O marido, quando se encontrava em casa, aplaudia os comportamentos de Elizabeth e ensinava-lhe novos métodos de tortura e morte, como despir uma mulher e cobrir o seu corpo de mel, de modo a que fosse devorada por insectos.


Em 1604, o conde morre, mudando-se Elizabeth para Viena. Passou temporadas em Beckov e em Cachtive, onde os seus actos mais macabros e hediondos foram cometidos sem pudor. Durante este período, a sua parceira de atrocidades foi uma mulher chamada Anna Darvulia, sobre quem muito pouco se sabe, e, após a morte desta, a princesa voltou-se para a viúva de um fazendeiro local, Erzsi Majorova, aparente culpada pelo deteoramento mental final de Elizabeth, encorajando-a a incluir mulheres aristocratas nas suas actividades, como vítimas, claro. Aliás, em 1609, matou, de facto, uma jovem nobre, encobrindo o caso e clamando que fora suicídio.


No início do Estio de 1610, tiveram início as investigações sobre os crimes de Elizabeth, cujo objectivo primordial e nuclear seria a apreensão das suas terras e propriedades, suspendendo dívidas deixadas pelo falecido marido. No dia 26 de Dezembro do mesmo ano, a condessa foi detida, tendo início o julgamento, pouco tempo depois, conduzido pelo conde Thurzo. A 7 de Janeiro de 1611, foi apresentada, como prova, uma agenda de Elizabeth, na qual se encontravam 650 nomes, todos registados com a sua letra, supostamente suas vítimas. Quanto a provas materiais e concretas das torturas, nada foi apresentado, sendo as decisões judicais tomadas, apenas, com base nos relatos das testemunhas. Os seus cúmplices foram condenados à morte, tendo a execução sido de acordo com os seus papéis nas diversas tortuas. Quanto a Elizabeth, foi condenada a pena perpétua, numa solitária, tendo sido encerrada num aposento do seu castelo de Cachtice, sem portas ou janelas, à excepção de um orifício para entrada dos alimentos e ar. Aí permaneceu a condessa os seus últimos três anos de vida, falecendo a 21 de Agosto de 1614. Foi, posteriormente, sepultada em Ecsed, em terras dos Bathory.





Anos mais tarde, os ficheiros do julgamento e do inquérito foram lacrados, visto constituírem uma vergonha para o Reino da Hungria, e o próprio rei Matias II proibiu a menção do seu nome nos círculos sociais.


A condessa Elizabeth Bathory - a mulher mais sanguinária da História




quinta-feira, 2 de abril de 2009

Eça - um génio sem paralelo


Black Mariah fez o distinto favor de abrir um «post» referente a um homem que idolatro com fervor e desmesurado ímpeto, alguém que coloco num pedestal inacessível, elavado, um Olimpo apenas seu, no qual é Zeus e Posídon e Hades e Afrodite e Ares e Hermes e Hera e toda essa longa linhagem mitológica de deuses poderosos, contudo humanamente representados, com defeitos e graças, virtudes e horrores!


Eça de Queirós é exactamente isso, um deus poderoso, altivo, todavia sempre um pouco héctico, digamos humano, imperfeito, como qualquer homem de verdade o deve ser. Ele constrói personagens sublimes, realistas - não fosse ele um Realista -, em tudo distintas daquelas que foram, por exemplo, tecidas pelo punho igualmente memorável de Camilo Castelo Branco, essas que mais se assemelham, como refere a personagem Eça de Queirós na película Mistério da Estrada de Sintra, a figuras de cera aguardando que lhes atirem com algo para acordarem. São personagens muito humanas, naturais, o que se verifica com extrema perfeição em Carlos da Maia, por exemplo, quando pratica incesto consciente com Maria Eduarda, visto já ter conhecimento do facto da mesma ser sua irmã de sangue, ou mesmo quando o padre Amaro liberta a sua verdadeira personalidade, desejando, a princípio, após tomar conhecimento da gravidez de Amélia, que esta abortasse. Ora, lá se vai, pela janela da carruagem, a pureza e castidade que mostrara em quase toda a obra, até então!


Eça é o meu «eleito», como diz a minha professora, de facto. Contudo, reconheço alguns defeitos nas suas obras. Um deles será a questão do final da trama. O enredo proporciona encerramentos apoteóticos, gloriosos, simplesmente perfeitos e fascinantes, como Os Maias - com a partida de Maria Eduarda (a passagem, para mim, mais marcante da obra) ou Carlos a encerrar, para sempre, os portões do Ramalhete, visto também ser com este que a obra se inicia, podendo ter sido concluída como um ciclo maravilhoso - ou mesmo O Crime do Padre Amaro - a morte de Amélia, com as complicações pós-parto, e do filho da mesma com Amaro -, e, ainda, convém referir o caso A Relíquia, uma obra que, confesso, enegrece um pouco a imagem imaculada que se pode criar do excelso escritor licenciado em Direito, o mesmo que «odiava» as mulheres, daí retratá-las, nas suas obras, de modo inferior e desprezível, visto ser fruto de uma relação não reconhecida legalmente, nem pela Igreja, bem como devido ao facto de ter sido abandonado, por tal, pela mãe.


Contudo, e apesar de tudo isto, mantém-se como um símbolo da nossa Literatura, um marco equiparável a Pessoa - bastam os heterónimos que criou e idealizou como personagens reais e A Mensagem, o expoente da nossa poesia - e Camões - não o lírico, mas sim o grande autor da epopeia [embora sejam o mesmo (risos)] -, sendo, aliás, os três, juntos, o núcleo e cerne da Literatura Portuguesa!



E que se dêem vivas a Eça de Queirós!!!