sexta-feira, 3 de abril de 2009

A condessa Elizabeth Bathory - biografia



Foi uma princesa húngara oriunda de uma importante família, os Bathory, e ficou para a História famosa pelo seu carácter sanguinário que facilmente contrastava com a beleza ímpar que possuía. Terá supostamente cometido uma longa série de crimes hediondos, macabros e cruéis, muitos, de acordo com lendas, relacionados com a sua obsessão pelas eternas beleza e juventude. Contudo, actualmente, os historiadores consideram meramente fictícios os horrivéis actos atribuidos à autoria da princesa, tendo sido, porventura, fruto de especulações dos inimigos políticos dos Bathory, que avidamente desejavam a sua morte.


Elizabeth (Erzsébet, em húngaro) nasceu em Nyírbátor, na época pertencente ao Reino da Hungria, actual Eslováquia. Grande parte da sua vida adulta foi passada no castelo Cachtice, perto da cidade de Vinishe, e a sua família cedo aderiu ao Protestantismo que principiava a espalhar-se pela Europa de então. Convém, ainda, acrescentar uma pequena curiosidade: Elizabeth foi educada em Ecsed, na propriedade da família, na Transilvânia (terra de Vlad Tepes, o famoso conde Drácula).


Foi alvo, em pequena, de doenças repentinas, originando um comportamento instável e incontrolável, bem como um intenso espírito rancoroso. Cresceu bela e vaidosa, tornando-se noiva do conde Ferenc Nadasdy, quando apenas possuía onze anos de idade. Em 1574, engravidou de um camponês, o que a levou a refugiar-se do mundo, quando o seu estado era claramente notório, até ao nascimento da criança. Em Maio do ano seguinte, casou com o conde, passando longas temporadas sozinha, visto o marido ser um militar efectivo, numa época de grandes conflitos no Leste da Europa. Durante as prolongadas ausências do esposo, assumia a própria Elizabeth os assuntos da família Nadasdy e do castelo. E foi isto que desencadeou o seu comportamento extremamente sádico, o facto de ter de controlar um leque enorme de criados, em especial jovens mulheres, recorrendo a uma dura disciplina, de modo a manter a ordem.


Mesmo numa época em que a punição dos criados e o comportamento arbitrário dos detentores do poder era algo tolerável e comum, as atitudes e comportamentos de Elizabeth ultrapassavam o banal e habitual, chamando as atenções. Encontrava a menor desculpa para impingir violentos castigos, torturas insuportáveis que, muitas vezes, culminavam em morte. Espetava alfinetes em diversas partes dos corpos das vítimas, como, por exemplo, sob as unhas e, no Inverno, despia-as, forçando-as a caminhar sobre a neve e derrubando água gelada sobre os seus corpos, até que morressem congeladas. O marido, quando se encontrava em casa, aplaudia os comportamentos de Elizabeth e ensinava-lhe novos métodos de tortura e morte, como despir uma mulher e cobrir o seu corpo de mel, de modo a que fosse devorada por insectos.


Em 1604, o conde morre, mudando-se Elizabeth para Viena. Passou temporadas em Beckov e em Cachtive, onde os seus actos mais macabros e hediondos foram cometidos sem pudor. Durante este período, a sua parceira de atrocidades foi uma mulher chamada Anna Darvulia, sobre quem muito pouco se sabe, e, após a morte desta, a princesa voltou-se para a viúva de um fazendeiro local, Erzsi Majorova, aparente culpada pelo deteoramento mental final de Elizabeth, encorajando-a a incluir mulheres aristocratas nas suas actividades, como vítimas, claro. Aliás, em 1609, matou, de facto, uma jovem nobre, encobrindo o caso e clamando que fora suicídio.


No início do Estio de 1610, tiveram início as investigações sobre os crimes de Elizabeth, cujo objectivo primordial e nuclear seria a apreensão das suas terras e propriedades, suspendendo dívidas deixadas pelo falecido marido. No dia 26 de Dezembro do mesmo ano, a condessa foi detida, tendo início o julgamento, pouco tempo depois, conduzido pelo conde Thurzo. A 7 de Janeiro de 1611, foi apresentada, como prova, uma agenda de Elizabeth, na qual se encontravam 650 nomes, todos registados com a sua letra, supostamente suas vítimas. Quanto a provas materiais e concretas das torturas, nada foi apresentado, sendo as decisões judicais tomadas, apenas, com base nos relatos das testemunhas. Os seus cúmplices foram condenados à morte, tendo a execução sido de acordo com os seus papéis nas diversas tortuas. Quanto a Elizabeth, foi condenada a pena perpétua, numa solitária, tendo sido encerrada num aposento do seu castelo de Cachtice, sem portas ou janelas, à excepção de um orifício para entrada dos alimentos e ar. Aí permaneceu a condessa os seus últimos três anos de vida, falecendo a 21 de Agosto de 1614. Foi, posteriormente, sepultada em Ecsed, em terras dos Bathory.





Anos mais tarde, os ficheiros do julgamento e do inquérito foram lacrados, visto constituírem uma vergonha para o Reino da Hungria, e o próprio rei Matias II proibiu a menção do seu nome nos círculos sociais.


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